quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A polêmica do padre casado

(Fonte: UOL News) O Tribunal Eclesiástico alertou os católicos que submeteram-se aos sacramentos ministrados pelo padre Osiel Luiz dos Santos, de Goiânia (GO), de que casamentos e batismos realizados pelo religioso não têm validade. O anúncio foi feito neste fim de semana. Casado há vinte anos com a empresária Clédima Maria de Castro, com quem tem cinco filhas, o sacerdote, que tem 62 anos de idade – vinte e três anos a mais que a mulher –, manteve sua rotina de celebrações. Ele acredita que tenham sido cerca de 400 casamentos e outras centenas de batizados. Osiel se opõe frontalmente à imposição do celibato. “A mulher não prejudica o homem. Pelo contrário, o casamento nos deixa muito mais santos e fortes”, defende o polêmico religioso.
Osiel vive com a família numa casa simples no Parque Amazônia, bairro de classe média baixa de Goiânia. Ele admite que cobra uma taxa pelos atos religiosos que celebra, mas não fala os valores e garante que a contribuição é opcional. Para a Igreja, todas as cerimônias realizadas por ele nesse período não têm validade. Para o padre, têm: “O sacramento não é da Igreja. É de nosso Senhor Jesus Cristo. E quem me procura, não busca um papel. Busca uma bênção”, resume.
A história de Osiel é semelhante à de muitos colegas que, a certa altura do sacerdócio, vêm-se na difícil situação de optar entre a carreira eclesiástica e o amor. Até o fim da década de 1980, ele tinha o comando de uma paróquia na capital goiana. Mas acabou se apaixonando por Clédima, na época com 19 anos. Ele diz que agiu com boa fé o tempo todo. “Não menti, não enganei. Fui ao arcebispo, contei a situação, entreguei a igreja. Ele me disse que me daria força e pediu que eu enviasse uma carta ao papa, renunciando aos meus votos. Recusei-me a fazer isso por acreditar que o casamento não inviabiliza o sacerdócio”, ressalta.
D.Washington Cruz, arcebispo metropolitano de Goiânia, fez circular por todas as paróquias uma nota oficial em que adverte os fiéis de que Osiel está oficialmente impedido de realizar qualquer ato litúrgico, e de que é “gravemente ilegítimo” qualquer sacramento oficiado por ele. A nota deve ser afixada nos templos durante três meses e será lida durante as missas. Mas Osiel avisa que já tem vários casamentos agendados para realizar. “Não temo porque não creio que esteja fazendo nada de errado. O que faço é honesto. Não engano ninguém”, enfatiza o religioso.

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