domingo, 16 de novembro de 2008

Presidente uruguaio veta aborto

(Fonte: Cristianismo Hoje) O presidente do Uruguai, Tabaré Vázques, vetou o trecho da Lei de Saúde Sexual e Reprodutiza que descriminalizava o aborto até o terceiro mês de gestação. O instrumento havia sido aprovado na íntegra pelo Congresso uruguaio, graças ao apoio da Frente Ampla, coligação de centro-esquerda governista que controla o Legislativo uruguaio. A decisão dos deputados desagradou profundamente a cúpula católica do país, onde mais de 90% dos cerca de 3,8 milhões de habitantes professam o catolicismo. A Igreja Católica do Uruguai chegou a ameaçar com excomunhão os parlamentares que votassem a favor do projeto. Vázquez, que além de médico é católico praticante, já havia anunciado que vetaria o polêmico artigo por motivos filosóficos e éticos. Os ministros da Saúde, María Julia Muñoz, e do Turismo, Héctor Lescano, assinaram o veto, como exige a lei. Mas a ministra comunista do Desenvolvimento Social, Marina Arismendi, se opôs publicamente à anulação. Agora, a bancada pró-aborto precisa conquistar dois terços dos votos na Câmara e no Senado, marca considerada dificílima de alcançar.
O artigo vetado pelo presidente permitia o aborto por motivos de “penúria econômica, social ou familiar” e avia sido aprovado pelo Senado por 17 votos contra treze. O debate inflamou o país nas últimas semanas. Ativistas dizem que Vázquez não deveria contrariar sua própria base e a opinião pública. Pesquisas apontam que a descriminalização da interrupção forçada da gravidez conta com o apoio de 57% da população. À semelhança do que ocorre no Brasil, as leis só permitem a interrupção forçada da gravidez quando ela comprovadamente decorre de estupro ou quando a gestação causa risco à vida da mãe. A atual legislação, de 1938, prevê pena de prisão para quem praticar o aborto. Um dois principais argumentos dos que são favoráveis à flexibilização da lei é de que ocorrem cerca de 35 mil abortos clandestinos por ano no país, muitos dos quais realizados em condições precárias de higiene e sem cuidados médicos, acarretando grande número de mortos. Segundo os ativistas, este número deve ser na realidade muito maior, já que grande parte das ocorrências sequer é registrada.

0 comentários:

Postar um comentário

Caro internauta, fique à vontade para expressar suas críticas, sugestões, complemetos ou correções. Deus te abençoe!

 
Powered by Blogger