Bancadas de religiosos querem CPI do Aborto na Câmara

As bancadas evangélica e católica na Câmara dos Deputados prometem dar trabalho para o futuro presidente da Casa. Com cerca de 220 assinaturas e cada vez mais conservadores, os integrantes da chamada Frente.
Parlamentar pela Vida - a mesma que fez lobby pesado contra a liberação das células tronco embrionárias - conseguiram fazer com que o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), criasse a CPI do Aborto, para investigar a venda irregular de abortivos como o Citotec e uma rede clandestina de clínicas de aborto no país.
Chinaglia, entretanto, vai deixar a instalação da CPI para seu sucessor, que será eleito no início de fevereiro.
Convocação de mulheres provoca protestos A proposta de convocar mulheres que praticaram aborto tem apavorado a bancada feminina e entidades de direitos humanos, que temem uma exposição ainda maior ao constrangimento, como as 1.200 já indiciadas em Mato Grosso do Sul. Para funcionar, a CPI precisa ter seus integrantes indicados pelos líderes, mas não há consenso.
Os autores do requerimento da CPI dizem que, se a comissão não for instalada até março, vão fazer uma grande manifestação na Esplanada dos Ministérios e entregar um abaixo-assinado com cerca de cinco milhões de assinaturas para pressionar o futuro presidente da Câmara a instalar logo a comissão. Se os líderes se negarem a indicar os integrantes da comissão, pelo regimento, o presidente da Casa é obrigado a fazê-lo.
O presidente da Frente, Luiz Bassuma (PT-BA), en-frenta grande oposição dentro de seu próprio partido, e admite que nem o líder do PT concorda com a instalação da CPI. Mas diz que os defensores da investigação estão articulando com os candidatos a presidente da Câmara uma promessa de instalação até março: “Ninguém se mostrou contrário.
O Michel Temer, do PMDB, está mais cauteloso. O Ciro Nogueira, do PP, deu apoio mais explícito”, disse Bassuma.
A deputada Rita Camata (PMDB-ES), contrária à proposta de criação da CPI, cobrou do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), explicações sobre a possibilidade de Michel Temer ter fechado tal acordo: “Eu fui checar com meu líder essa história de o Michel ter fechado com os evangélicos. Ele jura que não. Isso não é uma agenda importante para as mulheres”.
“É um movimento moralista, machista, uma coisa fanática! A mulher já é relegada a uma completa ausência de políticas de assistência nessas situações degradantes, é um sofrimento sem fim! Ninguém faz aborto por prazer, porque quer. Se tivesse apoio do homem, não recorreria a um aborto”, protesta Rita Camata.
Semana passada, o presidente Lula voltou a dizer que é contra o aborto, mas que o país precisa discutir a questão por se tratar de um problema de saúde pública.
(Fonte: 180 Graus)

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