segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Evangelização através da internet?

Por
Vanderlei Ortigoza Junior

Não é mistério que o cristianismo muitas vezes esteve na vanguarda da ciência (Galileu, Kepler, Pascal e Newton, apenas para citar os mais famosos, cujas obras remontam às raízes da ciência moderna) e das tecnologias de comunicação (o primeiro livro impresso com tipos móveis no ocidente foi um exemplar da Bíblia). Conforme cresce o acesso à internet no Brasil, nada mais natural comentarmos sobre o uso desta ferramenta.
 
Este artigo não tratará de como evangelizar por meio da internet, mas sua viabilidade como instrumento de evangelização. A fim de refletirmos a questão, comecemos com o mandamento de Jesus conhecido como A Grande Comissão e o significado da palavra evangelização.
 
Consideremos a ordem do Senhor em Marcos 16.15: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura". Certamente todo discípulo de Cristo concordará, de um modo ou de outro, com a validade dessa injunção, pelo menos no que se refere à primeira e última parte do versículo que, tendo em vista a rede mundial de computadores literalmente ao alcance dos dedos, nunca pareceu tão fácil cumprir.
 
O que significa, porém, a parte central do versículo: "Pregai o evangelho"?
 
A pergunta pode parecer estranha, afinal, é justamente isso que os cristãos vêm fazendo há séculos. Apesar de possuirmos uma noção intuitiva, não é tão simples articular uma definição abrangente e incontestável. Clique aqui para ler algumas definições protestantes sobre evangelização que a Editora Ultimato publicou em seu site.
 
Não obstante à ausência de um consenso, podemos observar três abordagens complementares à evangelização.
 
Noticiar. O evangelho é concebido como um conjunto de informações a serem transmitidas. A ênfase está em divulgar a mensagem, recorrendo a todos os meios de comunicação disponíveis.
 
Dialogar. Não basta transmitir informação, é preciso interagir. A ênfase está em travar conversação a fim de entregar a mensagem dentro de um contexto.
 
Discipular. O evangelho é comunicado por meio da vivência. A ênfase está em estabelecer vínculos de amizade e permitir que a mensagem transpareça mediante o testemunho pessoal, se envolvendo com os questionamentos e participando da vida e dificuldades das pessoas.
 
Observe a progressão, onde cada ênfase se soma à seguinte. Não seria este o sentido proposto por Jesus em Mateus 28.19-20? "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado".
 
A associação dos mandamentos em Marcos e Mateus torna evidente que pregar o evangelho está relacionado a fazer discípulos. Enquanto a primeira ordem insinua "comunicação, divulgação", a segunda destaca "relacionamento, diálogo, envolvimento".
 
O enunciado em Mateus, portanto, parece oferecer uma definição mais ampla e detalhada que Marcos. Existe a possibilidade de proclamar o evangelho sem fazer discípulos, porém o inverso é impossível. Portanto, a fim de participarmos da Grande Comissão nos moldes estabelecidos por Cristo, não podemos somente distribuir informação bíblica.
 
Conforme percebemos na vida de Jesus e seus apóstolos, o anúncio das boas novas estava intimamente ligado ao caráter do mensageiro. Havia mais em jogo que apenas informar: as pessoas observavam a firmeza do olhar, a postura corporal, o amor e a humildade representados nos gestos e nas palavras, a autoridade espiritual que emanava de um viver piedoso, enfim, todo um contexto de envolvimento presencial que a ciência está apenas começando a explorar por meio de estudos de linguagem corporal.
 
Essas considerações demonstram a ligação entre o que se entende por evangelizar e a escolha das ferramentas para cumprir esse objetivo. Se entendermos pregar o evangelho como transmitir um conjunto de informações bíblicas, qualquer instrumento midiático ao nosso alcance servirá a esse propósito. Em contrapartida, se nosso entendimento estiver vinculado a fazer discípulos, é mais provável que as tecnologias de comunicação servirão apenas como complemento no processo de evangelização.
 
A partir dessa visão mais abrangente de vivência e envolvimento com a mensagem da salvação, a força ou a eficiência da internet está em permitir amplo suporte à manutenção de relacionamentos existentes, além da facilidade para nos colocar em contato com aqueles a quem buscamos iniciar uma relação de amizade. Nesse sentido, a internet constitui, acima de tudo, excelente meio de divulgação e ensino dentro de comunidades previamente estabelecidas, reforçando bastante a qualidade desses relacionamentos.
 
Jesus poderia ter enviado cartas para o mundo inteiro, porém em sua sabedoria insondável decidiu que a mensagem das boas novas deveria ser comunicada presencialmente por seus seguidores. Sem ignorar ou desprezar o valor da interação à distância, precisamos lembrar que o "ide" não perdeu seu caráter literal.
 
Os desafios e oportunidades que a tecnologia nos oferece devem ser ponderados a partir do ponto de vista do relacionamento pessoal. Afinal, é para isso que fomos criados e é exatamente desse modo que o Criador se relaciona conosco. Considerando que o próprio Deus desceu para falar pessoalmente conosco, qual a melhor forma, portanto, de repassar essa mensagem?

Fonte: www.institutojetro.com

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