quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O Culto que Agrada a Deus Segundo o Livro de Levítico


Hélio de Oliveira Silva*


Como podemos oferecer a Deus um culto que o agrade realmente, e demonstre nossa sincera gratidão por sua obra de salvação na minha vida? Durante toda a história da Igreja essa questão foi tratada, hora com mais hora com menos reverência. Um período em que a polêmica em torno da forma do culto se tornou crucial foi na controvérsia do puritanismo com a igreja anglicana inglesa, no século XVII. O Princípio Regulador do culto foi desenvolvido pelos puritanos ingleses e escoceses em oposição ao chamado Princípio Normativo defendido pelos anglicanos ingleses. O Princípio Normativo defendia que o que não for diretamente proibido nas Escrituras é permitido no culto. O Princípio Regulador estabelecia que o que não for diretamente ensinado nas Escrituras ou necessariamente inferido de seu ensino, é proibido no culto, ou melhor, só é permitido no culto aquilo que tiver real fundamentação bíblica, que é expressamente ordenado nas Escrituras ou dela depreendido (Dt 4.1,2; 12.32 (texto áureo); Mc7. 6-13; Cl 2,16-23).

O objetivo do Princípio Regulador é livrar o culto cristão de todo tipo de superstições populares. Os puritanos dirigiam suas principais objeções à permanência, na liturgia eclesiástica, do ritual e das vestes sacerdotais católicas. Eles não encontravam base bíblica para a guarda de dias santos, absolvição clerical, o sinal da cruz, a presença de padrinhos no batismo, o uso de sobrepeliz e o ajoelhar-se na hora de receber a ceia.

Hoje em dia parece que o Princípio Normativo desenvolveu-se numa espécie de Princípio Intuitivo, em que as igrejas em função de seu equivocado conceito de liberdade, praticam aquilo que intuitivamente vier à mente do dirigente do culto na hora do serviço. Gesticulações mágicas, venda de bugigangas plastificadas, rituais de purificação, sacralização de móveis e utensílios etc. Moisés escreveu o livro de Levítico para responder exatamente a essa indagação. O povo foi livre de um cativeiro que durara mais de 450 anos no Egito. Eles viram a forma maravilhosa e miraculosa como Deus realizara a sua salvação no êxodo. Mas até então, todas as formas de culto que conheciam tinham sido aprendidas no Egito e estavam contaminadas com os ritos idólatras deles.

Os ensinamentos de Levítico regulam a forma do culto de Israel no Antigo Testamento de forma a que o povo adore a Deus como ele mesmo deseja ser adorado. O tema central de Levítico é que só podemos manter comunhão com Deus mediante a santificação. A base da comunhão estava estabelecida nos sacrifícios instituídos pelo próprio Deus (todos apontando para o Cristo que viria), não inventados criativamente por Moisés. Nas ofertas sacrificiais, o povo encontrava a absolvição dos pecados (cap. 1-7). No sacerdócio o povo tinha a mediação da adoração (cap. 8-10). O povo deveria viver em constante purificação diante de Deus (cap. 11-16). O altar simbolizava a reconciliação com Deus (cap. 17). Os capítulos 18-27 mostram que o meio de se andar com Deus e manter comunhão com ele é mediante uma vida de obediência e santidade. A grande confusão na qual vivemos hoje em dia é que queremos fazer Deus aparecer, manifestar-se; a fim de abalizar nossas práticas cúlticas e de trabalho como verdadeiras.

Assim nossos cultos vão se transformando em shows de Deus, shows da fé e shows de nós mesmos para nós mesmos. Por outro lado, o Senhor avisa que vai aparecer. Por isso o povo deve se preparar, cumprindo suas ordenanças para que quando a sua manifestação acontecer, ele aprove a obediência, e não o espetáculo (Lv 9.4). A manutenção do culto deve ser simples e funcional, a fim de que este seja centralizado em Deus e não nas ofertas e nem nos adoradores. Saul foi rejeitado por desobedecer a esse preceito (I Sm 15). Os filhos de Arão pela mesma razão ofereceram um culto personalizado a Deus, sendo interpretado como um fogo estranho em sua presença. Eles foram mortos por Deus na presença de todo o povo por sua irreverência! (Lv 10).

Purificação, consagração e dedicação obediente são os preceitos que devem nortear a organização e a realização De qualquer culto que for oferecido a Deus. Não existe um caminho de atalho. Obedecer aos mandamentos de Deus é o maior privilégio de nossas vidas. Poder entrar em sua presença; poder permanecer em sua presença, comungar com ele e agradecer tudo que fez, faz e fará por nós em Cristo. Nada mais é preciso. Isso é tudo que ele deseja.

*O Autor: É pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil em Goiânia/GO.

Fonte: http://www.eleitosdedeus.org/

3 comentários:

Ana claudia Stelet Moreno da Silva disse...

OLá graça e paz , estou dando uma passadinha e gostei muito do blog e seu conteúdo. Se quiser nos visitar será uma alegria. Um 2010de renovo do amor do Senhor em seu coração e de muitas conquistas em Deus.
blogdamulhercrist.blogspot.com

Vicente de Paulo disse...

Graça e Paz, parabens pela boa postagem, pois o conteúdo proporciona uma grande oportunidade para uma reflexão induvidual, quanto a nossa postura e propósito no culto que ofereçemos ao Senhor. O povo de Deus precisa praticar uma liturgia que esteja em harmonia com os padrões bíblicos. Pois, não podemos nos deixar seduzir por determinados modismos que distanciam dos propósitos do verdadeiro adorador, conforme nos ensina o Senhor Jesus, os verdairos adoradores, adorarão em espírito e verdade. Feliz 2010.

Gleison Elias Pereira disse...

Irmão Vicente, a Paz do Senhor

Obrigado por sua nobre participação e contribuição com seu comentário que muito enriquece esta postagem. Concordo com você meu irmão, pois uma liturgia dentro dos padrões bíblicos conduzirá todo crente a uma genuína adoração a Deus.

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