sábado, 20 de novembro de 2010

Série Documentos Históricos: Epístola de Policarpo de Esmirna aos Filipenses

Amigos, este documento não faz parte do Cânon Sagrado do Novo Testamento. Esta carta foi escrita no século II e possui apenas um valor histórico. Trata-se da Epístola de Policarpo de Esmirna aos Filipenses.

CARTA AOS FILIPENSES
Saudação

Policarpo e os presbíteros que estão com ele, à Igreja de Deus que vive como estrangeira em Filipos. A misericórdia e a paz sejam dadas em plenitude pelo Deus Todo-poderoso e por Jesus Cristo nosso Salvador.

Fé dos Filipenses

1.       1Participei grandemente da vossa alegria, em nosso Senhor Jesus Cristo, quando recebestes os imitadores do verdadeiro amor. De fato, como vos era conveniente, acompanhastes os que estavam acorrentados com cadeias dignas dos santos, as quais são os diademas daqueles que verdadeiramente foram escolhidos por Deus e nosso Senhor.2(Alegro-me) ainda que a raiz firme de vossa fé, que é anunciada desde os tempos antigos, permanece até agora e frutifica em nosso Senhor Jesus Cristo, que aceitou sair ao encontro da morte pelos nossos pecados, e que Deus ressuscitou, livrando-o das dores do Hades. 3Sem tê-lo visto, vós acreditais nele, com alegria indizível e gloriosa, que muitos querem conseguir. E vós sabeis que é pela graça que fostes salvos, não pelas obras, mas pela vontade de Deus, por meio de Jesus Cristo.


Crer em Cristo ressuscitado

2.       1Por isso, cingi vossos rins e servi a Deus no temor e na verdade, abandonando as palavras vãs e o erro de muitos, crendo naquele que ressuscitou nosso Senhor Jesus Cristo dos mortos e lhe deu a glória e o trono à sua direita. Tudo o que existe no céu ou na terra lhe está submisso; tudo o que respira o celebra, a ele que vem como juiz dos vivos e dos mortos, e de cujo sangue Deus pedirá contas àqueles que não confiam nele. 2Aquele que o ressuscitou dos mortos também nos ressuscitará, se fizermos a sua vontade, se caminharmos em seus mandamentos, e se amarmos o que ele amou, abstendo-nos de toda injustiça, ambição, amor ao dinheiro, maledicência, falso testemunho, não retribuindo o mal com o mal, injúria com injúria, golpe com golpe, maldição com maldição, 3lembrando-nos do que o Senhor ensinou: “Não julgueis, para não serdes julgados; perdoai, e sereis perdoados; usai misericórdia, para receber misericórdia; a medida com que medirdes, servirá também para vós; felizes os pobres e aqueles que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino de Deus.”

3.       1Irmãos, não é por mim mesmo que vos escrevo essas coisas sobre a justiça, mas porque vós mesmos o pedistes a mim. 2De fato, nem eu, nem qualquer outro como eu pode se aproximar da sabedoria do bem-aventurado e glorioso Paulo. Ele, estando entre vós, falando pessoalmente aos homens de então, ensinou com exatidão e força a palavra da verdade e depois de partir, vos escreveu cartas. Se as lerdes atentamente, podereis edificar-vos na fé que vos foi dada.3Ela é a mãe de todos nós, seguida da esperança e precedida do amor a Deus, a Cristo e ao próximo. Aquele que adere a isso, já cumpriu o mandamento da justiça, pois aquele que tem o amor está longe de todo pecado.

Amor ao dinheiro

4.       1O princípio de todos os males é o amor ao dinheiro. Sabendo, portanto, que nada trouxemos ao mundo e que nada podemos levar dele, armemo-nos com as armas da justiça e ensinemos primeiro a nós mesmos a caminhar conforme o mandamento do Senhor.

Dever dos esposos

          2Em seguida, que as vossas esposas caminhem na fé que lhes foi dada, no amor e na pureza, tratando carinhosamente seus maridos com toda fidelidade, amando também os outros com toda a castidade, e educando os filhos no temor de Deus.

Dever das viúvas

          3Que as viúvas sejam sábias na fé do Senhor e intercedam sem cessar por todos. Fiquem afastadas de toda calúnia, maledicência, falso testemunho, amor ao dinheiro e qualquer mal. Saibam que elas são o altar de Deus, e que ele examina minuciosamente cada coisa, e nada lhe escapa de nossos pensamentos, sentimentos e segredos do coração.

5.       1Portanto, sabendo que com Deus não se brinca, devemos andar de modo digno de seus mandamentos e de sua glória.

Dever dos diáconos

          2De igual forma, que os diáconos sejam irrepreensíveis diante da justiça dele. São servidores de Deus e de Cristo, e não dos homens. Que não caluniem, nem sejam dúplices nem amantes do dinheiro. Sejam castos em todas as coisas, misericordiosos, zelosos, andando segundo a verdade do Senhor, que se tornou servidor de todos. Se o aguardarmos neste mundo, ele nos dará em troca o tempo futuro, pois ele nos prometeu ressuscitar-nos dentre os mortos, e, se a nossa conduta for digna dele, também reinaremos com ele, se tivermos fé.

Dever dos jovens

          3Do mesmo modo, que os jovens sejam irrepreensíveis em tudo, preservando antes de tudo a pureza, refreando todo mal que está dentro deles. De fato, é bom repelir os desejos neste mundo, porque todo desejo guerreia contra o espírito. Nem os fornicadores, nem os efeminados, nem os sodomitas terão parte no Reino de Deus, nem aqueles que praticam coisas estranhas. Por isso, é preciso que eles se abstenham de todas essas coisas, e estejam submissos aos presbíteros e aos diáconos, como a Deus e a Cristo.

          As virgens devem viver com consciência irrepreensível e pura.

Dever dos presbíteros

6.       1Os presbíteros também sejam compassivos, misericordiosos para com todos. Tragam de volta os desgarrados, visitem todos os doentes, não descuidem a viúva, o órfão e o pobre, mas sejam sempre solícitos no bem diante de Deus e dos homens. Abstenham-se de toda cólera, acepção de pessoas, julgamento injusto, mantenham-se distantes do amor ao dinheiro, não creiam com muita pressa em qualquer um; não sejam severos no julgamento, sabendo que todos nós somos devedores do pecado. 2Se pedimos ao Senhor que nos perdoe, também nós devemos perdoar, pois estamos sob o olhar do Senhor e Deus, todos devemos comparecer diante do tribunal de Cristo, e cada um prestará contas de si mesmo. 3Portanto, sirvamos a ele com temor e todo respeito, como ele mesmo nos ordenou, e também os apóstolos que nos anunciaram o Evangelho e os profetas que preanunciaram a vinda de nosso Senhor. Sejamos zelosos no bem, evitando os escândalos, os falsos irmãos e aqueles que, levando hipocritamente o nome do Senhor, enganam os homens vazios.

Contra os ensinamentos falsos

7.       1Quem não confessa que Jesus Cristo veio na carne, é anticristo; aquele que não confessa o testemunho da cruz, é do diabo; aquele que distorce as palavras do Senhor segundo seus próprios desejos, e diz que não há ressurreição, nem julgamento, esse é primogênito de satanás. 2Por isso, abandonando os discursos vazios de muitos e falsos ensinamentos, retornemos à palavra que nos foi transmitida desde o começo. Permaneçamos sóbrios nas orações e perseveremos nos jejuns. Supliquemos em nossas orações ao Deus que tudo vê, para não cairmos em tentação, pois assim diz o Senhor: “O espírito está pronto, mas a carne é fraca.”

8.       1Portanto, sem cessar, estejamos agarrados à nossa esperança e ao penhor de nossa justiça, isto é, Cristo Jesus, que carregou nossos pecados em seu próprio corpo sobre o madeiro, ele que não cometeu pecado e em cuja boca não foi encontrada nenhuma falsidade, mas que tudo suportou por nós, a fim de que vivêssemos nele.

Imitar a perseverança de Cristo e dos mártires

2Imitemos, portanto, a perseverança dele. Se sofrermos por causa do seu nome, o glorificaremos. De fato, esse é o modelo que ele nos apresentou em si mesmo, e nós cremos nisso.

9.       1Portanto, eu vos exorto a todos, para que obedeçais à palavra da justiça e sejais constantes em toda a perseverança, que vistes com os próprios olhos, não só nos bem-aventurados Inácio, Zózimo e Rufo, mas ainda em outros que são do vosso meio, no próprio Paulo e nos demais apóstolos. Estejam persuadidos de que nenhum desses correu em vão, mas na fé e na justiça, e que eles estão no lugar que lhes é devido junto ao Senhor, com o qual sofreram. Eles não amaram este mundo, mas aquele que morreu por nós e que Deus ressuscitou para nós.

Amor fraternal

10.     1Permanecei, portanto, firmes nessas coisas e segui o exemplo do Senhor, firmes e imutáveis na fé, amantes da fraternidade, amando-vos mutuamente, unidos na verdade, competindo na mansidão do Senhor, não desprezando ninguém.

          2Quando podeis fazer o bem, não o deixeis para depois, porque a esmola liberta da morte. Sede todos submissos uns aos outros, que a vossa conduta seja irrepreensível entre os pagãos, para que recebais louvor, pelas vossas boas obras, e o Senhor não seja blasfemado em vós. 3Ai, porém, daquele mediante o qual o nome do Senhor for blasfemado. Portanto, ensinai a todos a sobriedade, na qual também vós viveis.

O caso de Valente

11.     1Estou muito triste a respeito de Valente, que por algum tempo foi presbítero entre vós, por ele ter ignorado dessa maneira o cargo que lhe foi dado. Por isso, vos advirto para que vos abstenhais da avareza e sejais castos e verazes. Abstende-vos de todo mal. 2De fato, quem não pode governar a si mesmos nessas coisas, como pode exortar os outros? Se alguém não se abstiver da avareza, será contaminado pela idolatria, e será considerado como um dos pagãos que ignoram o julgamento do Senhor. Ou não sabemos que os santos julgarão o mundo, como ensina Paulo?3Quanto a mim, não percebi, nem ouvi nada disso a vosso respeito. No vosso meio trabalhou o bem-aventurado Paulo, vós que estais no início de sua carta. De fato, ele se gloria de vós em todas as Igrejas que na época eram as únicas que conheciam a Deus; nós ainda não o conhecíamos. 4Portanto, irmãos, fico muito triste por causa dele e de sua esposa. Que o Senhor conceda a eles uma verdadeira penitência. Sede, portanto, moderados também vós a esse respeito e não os considereis como inimigos, mas chamai-os de volta como membros sofredores e desgarrados, para que salveis todo o vosso corpo. Agindo dessa maneira, estareis edificando a vós mesmos.

12.     1Creio que sois bem versados nas Sagradas Letras e que não ignorais nada; o que, porém, não me foi concedido. Nessas Escrituras está dito: “Encolerizai-vos e não pequeis, e que o sol não se ponha sobre vossa cólera.” Feliz quem se lembrar disso. Acredito que é assim convosco. 2O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e este mesmo pontífice eterno, Jesus Cristo Filho de Deus, nos edifique na paciência e longanimidade, na tolerância e castidade. Que ele vos conceda herança e parte entre seus santos, e convosco também a nós e a todos aqueles que estão sob o céu e que acreditarão em nosso Senhor Jesus Cristo e no próprio Pai, que o ressuscitou dos mortos. 3Rezai por todos os santos. Rezai também pelos reis, autoridades e príncipes, pelos que vos perseguem e vos odeiam, pelos inimigos da cruz. Desse modo, o vosso fruto será manifesto em todos, e vós sereis perfeitos nele.

13.     1Vós e Inácio me escrevestes para que leve também a vossa carta, caso alguém vá até a Síria. Se tiver boa oportunidade, farei isso pessoalmente, ou enviarei um encarregado, que irá também como vosso representante. 2Como nos pedistes, estamos enviando para vós as cartas de Inácio, por ele endereçadas a nós, assim como as outras que temos conosco. Todas elas vão junto com esta, e podereis aproveitar muito. Elas contêm fé, perseverança e toda edificação quanto a nosso Senhor. Comunicai-nos aquilo que ficarem sabendo sobre Inácio e sobre aqueles que com ele estão.

14.     1Eu vos escrevo esta por meio de Crescente, que há pouco tempo vos recomendei e que recomendo agora. Ele se portou de modo irrepreensível entre nós, e creio que fará o mesmo entre vós. Eu vos recomendo também a sua irmã, quando ela for até vós. Permanecei incólumes no Senhor Jesus Cristo e na graça com todos os vossos. Amém.

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